domingo, 23 de setembro de 2012

 
A CARTA
 O meu pai morreu em setembro, deixando uma carta para mim e meu irmão, tínhamos que abrir essa carta no dia nove de agosto do ano seguinte, aniversario da morte de minha mãe, depois poderíamos decidir o que fazer.O meu irmão Paulo, que é advogado queria abrir a carta na mesma hora, eu concordaria afinal o velho já estava morto, depois de quase sete anos de sofrimento em uma cama de hospital, agora quem se importava.Paulo, era policial civil, estava no terceiro casamento e tinha um problema com álcool e tabaco,eu,Marco Antonio, nome me foi dado pela minha avó, que só via o lado bom do imperador, seus escritos, porém quem tem o mínimo de cultura e leu livros de historia sabe que Marco Antonio,apesar de culto e bom orador, era um imperador cruel, principalmente com os cristão.O Fato, lamentável é que eu recebi o nome dele, parece que essa contradição, entre o bem pensado e o bem feito, o nome Marco Antonio, trousse para mim, sou medico, administro uma clinica com duzentos profissionais, além de ser um dos médicos, reumatologista, tenho uma esposa e um casal de filhos, um deles com síndrome de Down, depois do nascimento  de Sergio, meu filho com síndrome de down,passei a dedicação exclusiva, minha mulher era fisioterapeuta da clinica, mas desistiu, o filho dava muito trabalho, assim passamos a maior parte do tempo separados, isso era bom para mim, comecei a beber um pouco mais, nada de alarde nisso, são fico caído como Paulo, nem chego em casa altas horas, recentemente tenho uma outra mulher, não que o sexo seja a desculpa, mas não consigo conversar com Raquel, agente não se entende, tenho que sempre me desculpar, ela está reclamando ou trás algum problema, é sempre problema, já Rose, não tem nada disso, ela me escuta, apoia as minhas ideias, claro que escolhi Rose com critério de cirurgião, ela é uma recepcionista, tem vinte e dois anos, não sabe quase nada, faz sexo sem pensar de forma adestrada, sempre me pede duzentos emprestado no final da tarde, faz o que eu mando,e, é claro, me acha lindo.Raquel, anda distante, parece num beco sem saída, olha para os lados, sempre com algum problema para resolver, nunca está relaxada, parece que perdeu a vontade de viver, a vida é um peso para mim, mas eu tenho álcool, os amigos, a amante, acho que não sobrou nada para Raquel, mesmo com o volume de dinheiro que ganho, com a casa maravilhosa, acho que tem andado tudo frio,lento e desagradável na minha casa, como se a morte de uma família.
            O ano passado ela me disse que achava que agente não se amava mais, ela estava enganada, agente se ama, ama demais, porém um não carrega mais o fardo que o amor do outro é, tudo desgastado, repetido, monótono, com filhos correndo pela casa, gritos o tempo todo, nada é como antes, ficamos na cama olhando para a TV, ou no computador, nada mais vazio que isso, eu quero sair, quero ver a rua, com Raquel do meu lado.
            A minha filha mais velha é ginasta, quase não para em casa, não consigo, mesmo nos momentos de folga achar um momento com ela, ela sai, nunca volta, sempre treinando, arranjou um namorado, Mauro, ele é negro, não posso dizer que aceitei logo de cara, não posso me considerar racista, mas negro, por quê?Perguntei a Raquel, ela me respondeu, nem reparei na cor, só sei que é estudioso, é um atleta do basquete e gostei da mãe dele.
            Meu Pai caiu de cama num dia  Paulo sumiu no outro , não aparecia para ajudar era tudo nas costas da Raquel, já que eu não ajudava também, com filho com um síndrome de Dawn, uma filha adolescente, e um pai,meu pai não o dela, com AVC, Raquel estava para ser internada num hospício, eu só ficava na rua, o Maximo possível, as vezes dormir em casa era um suplicio, acordava as seis da manhã e ia correr bem cedinho, tomava café na padaria e banho no trabalho, quando meu pai ainda andava e o seu cognitivo estava abalado por uma demência progressiva, eu as vezes encontrava o velho fazendo as necessidades fisiológicas na sala, aquilo era demais ficava para morrer, chamava Raquel na mesma hora, depois saia e fumava um cigarro, mesmo sabendo que Raquel falaria por três dias a mesma frase:” isso vai te matar”.
            O dia chegou, Paulo abriu o envelope.
            -Isso é piada – disse Paulo rindo.
            -O pai fala aqui Marcos, que você é adotado – ele disse dando gargalhadas.
            Como se isso fizesse diferença nesta altura do campeonato.



Cristão não se queixa



Todo mundo esta vendo o alarde do povo  muçulmano cuja causa é o famoso filme,ruim como filme,por sinal e muito desrespeitoso com certeza, aqui podemos pensar sobre a famosa liberdade de expressão, será que é direito de todo mundo fazer criticas sem respeitar pontos de vistas contrários,crença ou o que é sagrado para os outros?
  O filme, apreciado por muitos, intelectuais inclusive, brasileiro: As Aventuras de Agamenon - O Repórter, foi visto por centenas de cinéfilos, ávidos por cultura, e, meus amigos e minhas amigas, é altamente desrespeitoso com Cristo e os cristão, fazendo trocadilhos perversos,por que os cristão não se queixam a maneira muçulmano?
  O imperador Constantino, que entrou para historia como o primeiro imperador a se converter ao cristianismo, na sequencia da vitoria  Maxêncio Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, tornou o cristianismo, a partir dali uma religião preferida pelo ocidente, hoje com característica civilizatórias. Está consolidada a espiritualidade cristão, neste seculo, apesar dos conflitos na irlanda, é uma espiritualidade pacifica, já teve o seu período de insegurança, mesmo durante as cruzadas, tantas vezes por capricho de um rei,ou para dar valor a um lorde.
  A civilização cristã, sofre com a desonra do sagrado, por mais que no passado tenha sido tão revoltada quando outras religiões. Mesmo uma pessoa agnóstica, entendo por pessoa agnóstica uma pessoa que não consegue compreender a divindade, deveria respeitar o que é sagrado para outras pessoas.
  Tudo pela liberdade de expressão,posso falar o que vai na minha cabeça se o resultado for arte?
  O ano de 1968, que foi o ano que não acabou, e que eu nasci, seria responsável, depois de tanta repressão pelo aparecimento de uma liberdade com gosto de fel, amarga, onde aceitamos casamento gay, aborto, drogas, entre outras conquistas, mas não respeitamos o direito do outro de ter uma religião.Discorda do pensamento ateu, niilista, hedonista da modernidade, ou da pós - modernidade com seus prazeres e a cultura do eu, seria um crime?Ou uma castração cultural.Lembrando  para Heguel a diferença entre real e realidade, está entre a minha visão e a de quem lê este testo, liberdade passou a ser real demais para mim, ou irreal se for assim ferindo os outros por mero capricho, afinal quem é realmente livre?
JJ DE SOUZA
algumas livros do :http://epubr.com/

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Ética – Bento de Espinosa

Filosofia » Literatura Estrangeira



 FormatosPDF
 EscritorBento de Espinosa
 Lançamento1992
 ISBN9789727081660


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sábado, 22 de setembro de 2012


JOHN GRAY
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Contagem regressiva
 
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Gênio para alguns, catastrofista para outros, o filósofo John Gray defende a idéia de que a vida do homem está com os dias contados
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Luiz Octávio de Lima 
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» Trecho do livro Cachorros de Palha, de John Gray   
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Celebrado como um dos grandes pensadores do século XXI, o britânico John Gray causa mais impacto a cada obra publicada. A tese central de seu mais recente trabalho, Cachorros de Palha, é a idéia de que a humanidade se engana ao acreditar que ocupa um lugar de destaque no universo, que pode controlar seu destino e algum dia será capaz de construir um mundo melhor. A explicação para o título de seu livro está num poema do filósofo taoísta Lao-Tsé sobre cachorros feitos de palha que eram reverenciados nos rituais religiosos chineses e, após as cerimônias, eram incinerados. 'A raça humana deverá ter o mesmo destino - será descartada quando não tiver mais utilidade para o planeta', afirma. Segundo ele, a contagem regressiva para a humanidade deixar a Terra já começou. E poderá estar zerada antes do próximo século. Neoliberal que se entusiasmou com Margareth Thatcher e depois rompeu com sua doutrina para apoiar o hoje primeiro-ministro Tony Blair - de quem agora é crítico -, o escritor é um polemista que recusa a coerência fácil ou a cristalização das próprias idéias. E não se acanha ao abandonar a defesa de suas teses, se conclui que estão equivocadas ou ultrapassadas. Considerado excepcionalmente lúcido por seus admiradores e um catastrofista por seus críticos, John Gray concedeu a ÉPOCA a seguinte entrevista:
John Gray
http://epoca.globo.com/imgnew/botao.gif Dados pessoais
Nasceu na Inglaterra, tem 58 anos
http://epoca.globo.com/imgnew/botao.gif Formação
Cursou Filosofia na Universidade de Oxford
http://epoca.globo.com/imgnew/botao.gif Ocupação atual
Professor de Pensamento Europeu na London School of Economics
http://epoca.globo.com/imgnew/botao.gif Obras
Tem 14 livros, entre eles: O Falso Amanhecer; Al Quaeda e o Que Significa Ser Moderno; Cachorros de Palha
Foto: Matthew Mendelsohn/Corbis/Stock Photos
ÉPOCA - Por que senhor afirma que o homem não é mais um habitante da Terra, mas um invasor do planeta?
John Gray -
 A espécie humana expandiu-se a tal ponto que ameaça a existência dos outros seres. Tornou-se uma praga que destrói e ameaça o equilíbrio do planeta. E a Terra reagiu. O processo de eliminação da humanidade já está em curso e, a meu ver, é inevitável. Vai se dar pela combinação do agravamento do efeito estufa com desastres climáticos e a escassez de recursos. A boa notícia é que, livre do homem, o planeta poderá se recuperar e seguir seu curso.
ÉPOCA - O senhor afirma que o ser humano não é tão diferente dos demais animais, e tampouco superior. Mas o desenvolvimento tecnológico, o avanço da ciência e da cultura não são provas de uma superioridade?
Gray -
 Os seres humanos diferem dos animais principalmente pela capacidade de acumular conhecimento. Mas não são capazes de controlar seu destino nem de utilizar a sabedoria acumulada para viver melhor. Nesses aspectos, somos como os demais seres. Através dos séculos, o ser humano não foi capaz de evoluir em termos de ética ou de uma lógica política. Não conseguiu eliminar seu instinto destruidor, predatório. No século XVIII, o Iluminismo imaginou que seria possível uma evolução através do conhecimento e da razão. Mas a alternância de períodos de avanços com declínios prosseguiu inalterada. Regimes tirânicos se sucederam. A história humana é como um ciclo que se repete, sem evoluir.
'' Duvido que os grupos pacifistas e de defesa do meio ambiente consigam salvar o mundo. A crescente demanda por combustível fóssil e a rápida industrialização da China só agravam o problema ''
ÉPOCA - Pelo que se depreende de suas teses, o senhor não duvida da noção de progresso, apenas acredita que o homem é falho e incapaz de controlá-lo. É isso mesmo?
Gray -
 Não acredito que haja avanços em ética e política. Temos momentos melhores e piores, mas em geral a História humana é um ciclo intermitente de anarquia e tirania. Trazemos em nosso DNA a inclinação para a autodestruição e somos incapazes de mudar. Nesse sentido, não há progresso. A atual Guerra do Iraque mostra isso. Os Estados Unidos não eram a nação mais desenvolvida do mundo? No entanto, não puderam impedir a tortura de prisioneiros em Abu Graib. Se alcançamos estágios avançados por um lado, a todo momento perdemos essas conquistas.
ÉPOCA - Há esperanças de que esse quadro se modifique?
Gray -
 Pode haver progressos em alguns lugares do mundo, em certos momentos. Mas não haverá uma mudança efetiva, generalizada. Observe que mesmo as convenções de guerra existentes não são respeitadas. Em termos de desafios ambientais, a situação ainda é pior. As mudanças climáticas afetam o mundo inteiro, ameaçam toda a civilização.
ÉPOCA - Não há nada a ser feito?
Gray -
 O que temos a fazer é trabalhar com objetivos modestos, com expectativas mais baixas e realistas. Não esperar pela salvação do planeta, mas buscar uma qualidade de vida melhor, criar condições para retardar o declínio. Isso é possível.
HN GRAY
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Contagem regressiva
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Luiz Octávio de Lima 
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ÉPOCA - O senhor não estaria sendo muito cético levando-se em conta os movimentos de defesa do meio ambiente, ações pacifistas e outros que tentam reveter esse quadro?
Gray -
 Duvido muito que consigam. Sou descrente de que será feito algo realmente eficaz para combater o aquecimento global. A demanda de combustível fóssil vem aumentando a um ritmo de 1,9% ao ano. A rápida industrialização da China só agrava esse problema. Não quero dizer com isso que não se deva fazer nada. Cada nação pode perfeitamente contribuir de alguma forma. Mas os esforços ainda seriam tímidos e há poucas razões para otimismo quanto a uma reversão radical do quadro.
ÉPOCA - E depois do homem, o que ficará? Em seu livro, o senhor prevê que, antes de desaparecer, a humanidade terá dado fim a muitas outras espécies, e também afirma que as máquinas vão continuar a existir, sendo capazes de tomar decisões.
Gray
 - Não acredito que a inteligência artificial chegará a ser mais avançada que a humana, nem que os robôs e as máquinas sucedam aos seres humanos no sentido evolutivo, ou cheguem ao ponto de se tornar uma ameaça a nossa espécie. Isso pertence mais ao terreno da ficção científica. Mas vislumbro que serão capazes de executar a maior parte das tarefas humanas, e reparar-se mutuamente em caso de falhas. As máquinas poderão continuar quando o homem não estiver mais aqui. Tudo isso, é claro, vai depender da disponibilidade de energia de então.
ÉPOCA - Em que o senhor se baseia para dizer que o homem não possui livre-arbítrio?
Gray -
 Não temos controle sobre nosso destino. Nem sequer somos co-autores de nossas vidas. Chegamos ao mundo sem escolher nossos pais, nosso lugar, a língua que vamos falar. O que fazemos é improvisar diante da realidade que encontramos.
ÉPOCA - Por que o senhor afirma que as idéias cristãs causaram grandes prejuízos à humanidade?
Gray -
 Minha maior crítica ao cristianismo é sua tentativa de salvar toda a humanidade. O Islã também se coloca numa missão salvacionista, e por isso traz consigo tantos desastres. Não sou contra as religiões, e até acredito que os piores regimes foram os de base ateísta, como os de Stlálin e Mao Tse-tung. O cristianismo é em grande medida benigno e devemos muito a ele. Mas é preciso buscar um certo grau de ceticismo, ter cautela para não buscar verdades absolutas. Desconfiar. O colapso do comunismo foi algo positivo, pois essa ideologia também havia se tornado uma crença. Em contrapartida liberou forças muito perigosas baseadas em religião. Acredito que as filosofias orientais, como o taoísmo, são mais benéficas ao ser humano, porque têm objetivos mais modestos, nada expansionistas.
ÉPOCA - Parte do mundo islâmico vive tempos de radicalismo, e a Igreja Católica dá uma guinada conservadora para afirmar seus valores. É uma volta ao fundamentalismo?
Gray -
 Hoje quase não temos mais movimentos revolucionários. Eles estão restritos ao Nepal e a um ponto ou outro do planeta. O comunismo e o fascismo também entraram em extinção. Mas estão voltando outras formas de fundamentalismo - étnico, religioso, nacionalista -, que haviam desaparecido. Os Estados Unidos vivem uma onda fundamentalista, parte religiosa, parte política. O nacionalismo na Europa está muito intenso. Todos os tipos são temerários, porque alimentam conflitos e impedem seres humanos de viver juntos.
ÉPOCA - Depois da Guerra Fria, o mundo pôde se tornar mais pluralista. Essa diversidade poderia contribuir para evitar uma tensão mundial como a daquele período?
Gray -
 A história da humanidade é uma sucessão de embates, e é ridículo pensar que a causa desses conflitos é o choque entre civilizações diferentes que não se entendem apenas por motivos ideológicos. As guerras sempre foram motivadas por outros fatores, como a busca por recursos. A Guerra do Iraque foi iniciada com o pretexto de ali estar se formando um Estado fascista. Falácia. Se hoje assistimos à contenda entre as nações islâmicas e o resto do mundo, isso se deve à crescente demanda por petróleo barato. As nações ricas precisam de uma quantidade cada vez maior de combustível, o que gera essa tensão. Mas o pior ainda pode ser evitado.
ÉPOCA - De que maneira?
Gray -
 Retirar as tropas do Iraque seria um grande passo. Mas as políticas energéticas são a fonte alimentadora do terror. Seria importante que as nações se tornassem menos dependentes de petróleo. Isso aliviaria as tensões entre o Ocidente e o mundo islâmico.

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Contagem regressiva
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Luiz Octávio de Lima 
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ÉPOCA - O modelo intervencionista da política americana se esgotou?
Gray -
 É evidente que Bush fracassou. Seu desafio agora é como sair dessa situação sem grandes prejuízos. A guerra teve um custo muito alto e seus efeitos serão sentidos por décadas. Em 20 ou 30 anos, a influência dos EUA sobre o mundo será bem mais limitada. Os americanos terão de ser mais cautelosos e vão depender ainda mais da ajuda de outras nações.
ÉPOCA - O senhor criou polêmica entre seus pares ao defender aspectos do regime de Fidel Castro.
Gray -
 Ele já teve pontos positivos. Nunca foi benéfico no que se refere às liberdades individuais. No entanto, obteve avanços ao reduzir as taxas de mortalidade e implantar um eficiente sistema de saúde. Mas mesmo esses benefícios se perderam. Agora, o regime cubano caminha para o colapso total, o que provavelmente ocorrerá com a morte de Fidel.
ÉPOCA - Que regime político seria ideal para responder às questões que se colocam no momento à maioria das nações ocidentais?
Gray
 - Não devemos procurar por um único sistema ideal. Ainda temos no mundo regimes péssimos, como o da Coréia do Norte, por exemplo. A democracia representativa geralmente é citada como a mais benéfica, mas também está sujeita a erros e não é uma garantia de respeito ao estado de direito, como o governo Bush demonstrou. Temos de utilizar um conjunto de experiências, tentar agregar aos regimes democráticos existentes mais garantias às liberdades individuais, mais mecanismos de vigilância e controle da administração pública, assistência social eficiente e proteção do cidadão pelo Estado.
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'' Não temos mais movimentos revolucionários, comunismo nem facismo. Mas estão voltando outras formas de fundamentalismo - ético, religioso e nacionalista -, que haviam desaparecido no século XX ''
ÉPOCA - O senhor já foi um apoiador do modelo liberal e hoje advoga fortes mecanismos de controle para o que chama de fundamentalismo do mercado...
Gray -
 Sim, mas nunca fui um fundamentalista do mercado. Os modelos econômicos e os projetos políticos precisam estar em permanente mutação. Não podemos nos agarrar a uma crença e ficar presos a ela para sempre. Os desafios mudam. Entre os riscos do mundo atual, por exemplo, está o de termos Estados fracos. E cada vez mais acredito que um Estado fraco é um mau Estado.
ÉPOCA - Tendo por base os dilemas contemporâneos, como vê o mundo daqui a 20, 30 anos? Quais serão as questões em pauta?
Gray -
 É difícil dizer. O terrorismo e o crime organizado já são problemas agudos hoje. Parece evidente que as questões ambientais vão se aprofundar, e que a explosão populacional vai se agravar. Teremos 1,2 bilhão de habitantes a mais no planeta em 2050. Mas tentar prever o futuro é algo traiçoeiro. Há fatores imponderáveis. Quem poderia imaginar, 20 anos antes, que o comunismo entraria em colapso no fim da década de 80? O importante é entendermos as questões contemporâneas e tratarmos delas adequadamente. Woody Allen disse certa vez que 'fazer previsões é muito difícil, especialmente sobre o futuro'. Eu digo que fazer previsões é fácil, entender o presente é bem mais complicado.
ÉPOCA - Seus críticos afirmam que o senhor se expressa por meio de afirmações apocalípticas e que suas teses pecam por um catastrofismo que não leva a conclusão alguma.
Gray -
 Não sou um missionário, um neocristão, um neoliberal, um neocomunista. Não tenho crenças a defender nem trago uma doutrina, um manual de salvação para determinado grupo. Eu só estou interessado em estimular as pessoas a pensar, levando a elas subsídios que lhes sirvam de alertas. Há questões desagradáveis a ser encaradas e meu intuito é ajudá-las nesse processo.
ÉPOCA - Alguma palavra de alento sobre o destino da humanidade?
Gray -
 Essa não é minha área (risos). Recomendo que as pessoas busquem a religião para isso.